OS PUBLICANOS E AS PROSTITUTAS PRIMEIRO?

É, sem dúvida alguma, assustadora a afirmação do Senhor aos Sacerdotes e Anciãos do povo judaico: “'Em verdade vos digo, que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus.” (Mt 21,31). Eles eram os responsáveis pela Lei, guardiões da Tradição, sucessores de Moisés e anunciadores da Aliança firmada com o Povo de Israel. A afirmação de Jesus foi como um soco no estômago de quem se tinha em grande conta diante de Deus e de seu Povo Eleito.


Meu amigo jovem, você, chamado a ser Sentinela da Manhã, é hoje provocado a ir fundo no sentido do Cristianismo e na missão do Senhor. Você, eu e toda a Igreja, somos chamados a termos em nós “o mesmo sentimento
que existe em Cristo Jesus”. E quê Jesus sentia? O que Ele queria? Porque os publicanos e as prostitutas foram os primeiros a entrar no seu Reino?


 
Um pouco de história pra entendermos Mateus

São Mateus é o único evangelista que nos relata este encontro conflituoso que lemos hoje. Ele quis destacar este discurso de Jesus e não deixá-lo cair no esquecimento porque para a comunidade que ele escreve esta passagem é, de fato, importante. E porquê? A comunidade para a qual Mateus escreve é uma comunidade em conflito consigo mesma. Ele escreve para Cristãos convertidos do Judaísmo. Como se sabe, quem se convertia da antiga religião judaica e passava a acreditar em Jesus continuava com as práticas religiosas judaicas: as leis, a visita ao Templo, a frequência às sinagogas aos sábados, as celebrações das festas anuais, entre outros...


A partir do ano 70d.C. a situação mudou. Neste período, alguns judeus, motivados pela ideia de que o Reino de Deus consistia na libertação política de Israel e no seu isolamento das influências pecaminosas do estrangeiro,  lideraram uma revolta que ficou conhecida como “A guerra judaica”. O Povo de Israel revoltou-se contra o domínio do Império Romano. Roma reagiu impiedosamente e, com seus exércitos, varreu a Terra Santa, destruindo tudo. Cercou Jerusalém e a manteve sitiada por sete meses, sem que se pudessem ser enviadas provisões para dentro das muralhas. Foi um verdadeiro horror, de fome e medo (dizem que mães vendiam os corpos dos filhos mortos como comida). Ao final do cerco, Jerusalém foi tomada. Com ódio, romanos destruíram tudo, inclusive o Templo (que nunca mais foi reconstruído). A perseguição ao judaísmo estourou em todo o Império. Os judeus, espalhados pela Europa, Ásia e África, corriam risco de destruição total.

Os chefes judeus (Sumo-Sacerdote e Anciãos do Povo) expulsos de Jerusalém, reuniram em Jâmnia (cidadezinha próxima a Jerusalém) para definir os planos estratégicos a fim de não deixar morrer o judaísmo. Então, são tomadas algumas decisões: exigência de uniformidade e fidelidade ao judaísmo tradicional; harmonização das escolas teológicas rivais; fixação do calendário e das festas; uniformização da liturgia sinagogal; fixação do Cânon Bíblico (ainda em discussão na época...). Ou seja – desejavam restaurar o judaísmo puro. Toda diferença seria um risco.

E é aí que os Cristãos, que já eram tidos como problema, tornam-se de fato indesejáveis. A eles foi feita a exigência de abandonarem a Cristo para poderem continuar sendo membros do Povo Eleito. Caso contrário, seriam expulsos das sinagogas, o que de fato aconteceu a uma grande maioria. Imaginemos se fôssemos expulsos do Brasil e não pudéssemos mais ser chamados “brasileiros”? Imaginemos que nossos parentes e amigos fossem proibidos de conversar conosco? Que não pudéssemos mais frequentar os ambientes que os brasileiros frequentam? Foi mais ou menos isso que aconteceu aos judeus que professaram a fé em Jesus Cristo. Foram desterrados, PERDERAM A NACIONALIDADE, a cidadania judaica.

Com isso, a Igreja, que tinha sua primeira sede em Jerusalém, decidiu romper definitivamente com o judaísmo e separar-se dele. Porém, para os primeiros cristãos que vieram do judaísmo pairavam ainda a perguntas: Valeria a pena abandonar a fé dos Pais para trilhar esse novo caminho? Ser cristão consiste em negar tudo o que cremos até agora? Há vantagens em optar por Jesus, mesmo sendo expulsos de nosso povo? Qual é a vontade de Deus: seguir os chefes das sinagogas ou os chefes dos cristãos?


 Israel disse sim à Lei, mas não ao Jesus e ao Reino que Ele anuncia

A Parábola de Jesus, neste Evangelho de hoje, representa o drama da história de Israel. Eles disseram sim: sim à Lei e à Antiga Aliança. Porém, nesta mesma Antiga Aliança estava, em germe, a Nova Aliança. Ela foi prenunciada desde os primórdios do povo israelita: na Aliança com Abraão, na libertação do Egito com Moisés, no reinado de Davi e seus sucessores, na Palavra dos profetas, na experiência dolorosa do Exílio...


Quando, porém, o Novo se faz presente em Jesus de Nazaré, os chefes de Israel não o reconhecem! Por séculos sonharam com o Reino e a vinda do Messias. Quando Jesus aparece e realiza o Reino de Paz e Misericórdia, muitos em Israel não se reconheceram nele! Preferiram ficar presos às interpretações radicais da Lei, que excluía todos os que não se adequassem a ela, que negava misericórdia aos pecadores, que isolava Israel do resto do mundo, como se fosse o único povo com direito a Deus e, que levava à guerra ao invés da paz. Este erro continuou a se repetir nos anos seguintes e motivou a guerra contra Roma. Após o drama da destruição de Jerusalém, ao invés da revisão de postura e abertura, esta atitude isolacionista e excludente acirrou-se. 40 anos antes, não quiseram acolher o Príncipe da Paz, do Amor e da Misericórdia que surgiu no e do meio deles e o crucificaram. Agora, no ano 70, acabaram por expulsar todos os seus seguidores de seu meio.

  
As prostitutas e os publicanos tinham dito não...
De acordo com os critérios morais e religiosos da época de Jesus e dos anos subsequentes, as prostitutas, os ladrões (publicanos...), pecadores públicos eram infiéis à Aliança – deveriam ser extirpados do meio do povo como um câncer. Segundo o entender das lideranças farisaicas, se Israel sofria, era por causa do pecado destes. Eles haviam dito não à Lei. Jesus, porém, não se importava com as leis e costumes. Não as rejeita, mas também não as impõe. Ele jamais admite que alguém seja deixado de lado. Jesus abre as portas para uma nova vida! E os pecadores, que haviam dito não à Lei, são os primeiros a dizer sim ao Evangelho! Alguns exemplos: Zaqueu – dá o que roubou aos pobres; a adúltera, rejeitada e condenada à morte, é restituída em sua dignidade e passa a seguir Jesus; a prostituta, regenerada, lava-lhe os pés com as lágrimas que brotam de um coração restaurado; e por fim, o próprio Mateus, que era um publicano (cobrador de impostos para Roma), acolhe Jesus em sua casa, prepara-lhe um banquete e é chamado a ser um Apóstolo.


A misericórdia, o amor, a acolhida restauram o verdadeiro sentido da Lei e da Antiga Aliança, e fazem surgir um novo povo: um novo Israel, que nasce não do castigo, mas da misericórdia de um deus que é amor e que se manifesta em Jesus de Nazaré. É isto que os pobres, os pecadores e os rejeitados do Antigo Israel veem nEle: Ele é realmente o Deus conosco, Salvador de toda humanidade! Ele é a plenitude do que Moisés, Davi, os profetas e toda a experiência do povo de Israel anunciava e esperava!

Não foi Deus quem rejeitou o velho Israel! Foram sim, os chefes de Israel que disseram não à novidade que seu Deus lhes propunha em Jesus de Nazaré. O modo como viviam seu “sim” à Lei os levou a dizer não ao Evangelho! O não dado à Lei pelos publicanos e prostitutas, converteu-se em sim dado à Misericórdia de um Deus que veio até eles e lhes ofereceu a Boa-Notícia da Salvação: o Reino de Deus – o Novo Povo de Israel – uma nova Civilização do Amor.


Nossas tradições...

O cristianismo nasceu da novidade de Jesus de Nazaré. Porém, muitas vezes corremos o mesmo risco de Israel, e com nossas interpretações do Evangelho, rejeitarmos muitos que consideramos “pecadores”. Devemos nos vigiar constantemente... Jamais nos podemos considerar os  “puros”. Mas sempre nos lembrarmos de que NÓS SOMOS AS PROSTITUTAS E OS LADRÕES QUE DISSERAM SIM A JESUS.

Em outras palavras: se somos Igreja, se procuramos fazer o bem e amar como Jesus. Se somos fiéis à nossa família, se procuramos ser justos nos negócios, se respeitamos o outro em seus direitos... Tudo isso é graça de Deus. Não é mérito nosso! Não compramos a salvação às custas de nossas boas ações! A salvação é dom gratuito de Deus. Se temos direito a ela mesmo reconhecendo nossas fraquezas e demérito, os outros também tem.

É nosso dever ir atrás das prostitutas e dos publicanos de hoje, escondidos atrás dos traficantes de drogas, dos garotos e garotas de programa, das pessoas nos bordéis, dos políticos corruptos, dos pobres e excluídos – obrigados a roubar para sobreviver, dos presidiários, enfim, de todos os rejeitados de nossa sociedade. Afinal, se Jesus estivesse andando em nossas ruas, sem dúvida Ele estaria junto destes, e eles lhes diriam sim talvez muito mais rápido do que nós.


Eucaristia – antecipação do céu!

“Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe  ternura e compaixão, tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em  harmonia, procurando a unidade. Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o  outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. Tende entre vós o  mesmo  sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fl 2,1-5). Esta linda passagem da Segunda Leitura de hoje nos recorda qual é a verdadeira postura do Cristão: amar sempre, ser misericordioso sempre, dizer sempre sim ao amor, em primeiro lugar.

Na Eucaristia celebramos este amor. Ela é o banquete oferecido aos pecadores! Há 2000 anos atrás, Jesus sentou-se à mesa com eles. Hoje Ele senta-se à mesa conosco. E no céu estaremos todos nós, juntamente com tantos julgados como pecadores mas redimidos pela misericórdia de Deus e sua graça, sentados à mesa com Jesus! Na eucaristia antecipamos essa ceia no céu! Que o céu seja também antecipado em nossas atitudes de acolhida e misericórdia hoje.

Pe. Leo- Por Hoje Sim

O Papa pede às famílias que sejam sinal de esperança na sociedade atual

Em uma mensagem enviada aos mais de 16 mil participantes na 22ª Jornada Mariana da Família no Santuário de Torreciudad em Huesca (na Espanha), o Papa Bento XVI pediu que as famílias sejam “na sociedade atual sinal de esperança”.
Conforme informa a Rádio Vaticano, o Santo Padre se dirigiu assim aos participantes deste evento realizado no fim de semana. Aos esposos e pais de família o Papa alentou a “não retroceder em seu empenho de ser referentes de seus filhos, que precisam descobrir na perseverança e no sentido do dever, o rosto do verdadeiro amor”.
No Santuário que está sob o cuidado do Opus Dei, o Arcebispo de Madrid e Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Cardeal Antonio María Rouco Varela, assinalou que “a vida é uma história muito bela e ao mesmo tempo dramática, na qual será preciso ensinar aos filhos a lutar, a superar-se a si mesmos, a caminhar vencendo as insídias do mal”.
Na homilia da Missa que presidiu, o Cardeal disse que “a vitória consiste na santidade, a verdadeira vocação do homem”.
Por isso animou os fiéis a “confiarem na Virgem, nesse amor terno e maternal e Maria que nunca nos abandona, Mãe de Graça e de Misericórdia”.
O Arcebispo de Madrid destacou às famílias chegadas de distintos pontos da Espanha que “Deus está com o homem de uma forma extraordinariamente próxima, íntima, plena, para que o ser humano possa fazer do caminho de sua vida um caminho de salvação e de glória”.
Finalmente recordou a todos os presentes que “para descobrir essa proximidade é necessário dar um primeiro passo de fé, acreditar em Jesus Cristo “firmes na fé”, como dizia Bento XVI aos jovens há uns dias”.

Exaltação da Santa Cruz

D . EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro

No dia 14 deste mês, a liturgia da nossa Igreja celebrava a festa da Exaltação da Cruz. O fiel é convidado a penetrar as profundezas de um “amor que chegou aos extremos” (Jo 13,1), louvando, agradecendo, exaltando. Não podemos restringir a nossa contemplação ao aspecto doloroso e trágico dessa “bendita e louvada” Cruz, da qual pendeu a salvação do mundo. Ficamos chocados e até, revoltados diante dessa ignominiosa crueldade de condenar um Inocente através do suplício degradante e debochante, que era reservado aos escravos mais vis e revoltados, os bandidos e salteadores.
Queremos engrandecer o heroísmo máximo de quem morreu pelas mais nobres causas, escancarando o acesso à salvação para todos. Sempre olhamos para o Crucificado com certa tristeza… Além de ter diante dos olhos a imagem mais cruel do Homem das Dores, vem-nos à lembrança a causa de tanto sofrimento: os pecados todos desde Adão até o final dos tempos estão retratados ali, naquela imagem de um transfigurado pela dor, ingratidão, pela paixão e pelo sofrimento da humanidade toda. O profeta Isaías, nos Cânticos do Servo de Javé, havia profetizado: “O mais belo dos homens perdeu toda a sua beleza. Não mais parece nem mesmo gente. Aparece como “golpeado, humilhado, desonrado e triturado” (Is 53,5).
Contudo, os Santos viam nEle a suma beleza, o maior objeto de esperança, a figura santa e verdadeira do homem novo. Desta forma, a Cruz será o grande contraste, o desafio por definição. Por um lado demonstra a maldade do ser humano e, por outro, a grandiosidade do amor do Pai “que não poupou a seu próprio Filho” (Rm 8,32) e de Cristo, que demonstra ali o maior amor pelos amigos, “morrendo por eles” (Jo 15,13).
O Crucificado é, efetivamente, o centro da História humana. É naquela hora – a HORA entre as demais horas – que se realiza “a plenitude dos tempos” (Ef 1,10 e Gl 4,4) Jesus havia confidenciado, que naquela hora iria atrair tudo para si. De fato tudo se agrupa ao redor da Cruz; os povos que andam nas trevas e os que avançam ao clarão da luz eterna; a história de cada pessoa e do universo todo adquire pleno sentido à sombra dessa Cruz. É por isso, que São Paulo nos fala do mistério da Cruz como o mistério central, o centro de toda a ciência e sabedoria. O Crucificado, no mistério de sua Paixão e Morte nos assegura o aprendizado dos seus inesgotáveis tesouros de sabedoria e ciência. Achegando-nos ao Crucificado, contemplando-o com profunda compenetração, tornamo-nos seus alunos e, se formos dóceis aos seus ensinamentos, tornamo-nos seguidores dos seus passos todos… até mesmo dos ensagüentados.
“A Cruz está de pé, enquanto o mundo gira”, cantava-se em séculos passados, aparecendo, assim, a Cruz como a rocha firme, o baluarte que não treme diante das coisas que passam. Ela é estável e firme! Ela está firme enquanto os acontecimentos humanos se desenrolam a seus pés, transformados pelo sangue redentor, pelo benefício de um amor eterno.
A Cruz é também o grande sinal da esperança última: “Verão aparecer sobre as nuvens o sinal do Filho do Homem” (Mt 24,30). Os cemitérios, as lápides sepulcrais quase todas estão assinaladas pela Cruz. É a certeza de que aqueles que “morreram em Cristo, também ressuscitarão com Ele” (Rm 6,4).
A Cruz atravessa as sombras da morte, os muros do desconhecido mundo do Além, e abre novas esperanças, a visão preanunciada de uma vida nova de felicidade eterna: agregação conjunta de todos os bens e alegrias, amizade transformante com Deus, imersão na sua glória.
A Cruz, dizíamos, se nos apresenta como um grande contraste, um verdadeiro choque. Ali se defrontam o ódio máximo e o amor maior; o aparente fracasso e a vitória final, já iniciada; a justiça e a misericórdia; as luzes e as trevas; a tristeza da morte e o borbulhar das “fontes da alegria de salvação” (Is, 12,3). A Cruz nos estimula ao sacrifício, ao heroísmo e ao martírio. Nela os missionários de todos os tempos encontravam inspiração e impulso evangelizador. Todos os inumeráveis mártires de ontem e de hoje encontravam nela o ideal e a força para o sofrimento e para o enfrentamento da própria morte, qualquer que fosse.
A Cruz, ainda hoje, nos irmana na solidariedade com os que sofrem: doentes, encarcerados, injustiçados, excluídos… Para todos eles (e para nós também) o Crucificado é a resposta: “Não temais eu venci o mundo” (Jo 16,33).
Ao nos persignarmos com o sinal do cristão – como aprendemos desde o Catecismo – professamos a nossa fé que brota da Cruz e nela se consuma como vitória final. Não percamos o lindo costume de enriquecermos as salas de estar, salas de aula, de decisões maiores, estabelecimentos públicos – com a figura nobre e, ao mesmo tempo, triste do Crucificado. É perene apelo à justiça e honestidade. É garantia de acerto.
Ao contemplarmos um pouco mais de perto o Crucificado, entenderemos melhor os segredos de Jesus e teremos mais coragem para enfrentar os contratempos do dia-a-dia e nossos olhos penetrarão nos abismos do Amor… A Cruz é uma das grandes maravilhas de um amor sem limites e sem explicações, de um amor humano-divino de total  doação.
Fonte: Amai-vos
10/2003

A pedRinha








Confie...

As coisas acontecem na hora certa.
Exatamente quando devem acontecer!
Momentos felizes, louve a Deus.
Momentos difíceis, busque a Deus.
Momentos silenciosos, adore a Deus.
Momentos dolorosos, confie em Deus.
Cada momento, agradeça a Deus.